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segunda-feira, dezembro 30, 2002
DIÁRIO DA TURNÊ NO JAPÃO: GUITARWOLF VS AUTORAMAS JAPAN TOUR 2002
Jingo-beru, jingo-beru: ao soarem as trombetas natalinas no último dia 24, chegamos de nossa inesquecível temporada de dez dias com o Guitarwolf no Japão. Conhecemos nossos heróis nipônicos em um encontro surreal em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em 2001. Chovia lá fora (na verdade fazia um calor dos diabos, mas é sempre cool dizer que chovia para criar um clima noir que os pseudo-intelectuais a-do-ram, ah, foda-se).
Como eu ia dizendo, chovia lá fora, porra, e Seiji perguntou se tocaríamos no Japão caso ele conseguisse armar de nos levar para a Terra do Sol Nascente. Oh hô hô, claro, responderam em uníssono Huguinho, Zezinho e Luizinho. Ou Curly, Moe e Larry... talvez Groucho, Chico e Harpo, ou até mesmo Espeto, Batatinha e Jovita, tudo só depende do seu grau de erudição. Não pensamos mais nisso até que... chovia lá fora... um dia o celular do Gabriel tocou e um número muito doido se insinuava no identificador de chamadas. Mistéééééério...
- "Tooooooramasu"!
- Seiji?!
Sim, era o Deus do Rock, ele mesmo em pessoa, convocando os Autoramas para uma turnê de cinco shows no Japão como banda de abertura do Guitarwolf. Lock´n´Loll Baby!!! Nossa primeira turnê internacional, a promessa de uma grande aventura que nos aguardava do outro lado do mundo. Mesmo que isso possa ferir a nossa masculinidade, principalmente a minha, claro, devo admitir: nossos fusquetes piscaram como nunca.
Esquema armado, passaporte carimbado e ceroulas de inverno compradas, decolamos rumo à Tóquio na última sexta-feira 13 do ano, a bordo de um boeing sinistro, boeing do terror da United Airlines. Seiji, Billy e Toru são uns caras tão gente boa que batizaram a turnê de "Guitarwolf VS Autoramas Japan Tour 2002". E a partir daí foram muitas outras emoções, uma sequência matadora de momentos lindos quando nós estamos aqui, nessa caralha de estrada, porra.
Depois de encarar 27 horas até desembarcar em Narita, Gabriel e eu fomos recebidos por Seiji no aeroporto e esparramados na sua van envenenada com almofadas de oncinha seguimos até Setagaya Ku (é, bairro em japonês é ku mesmo, e só pra completar lavar roupa é sentaku e química é kagaku), onde degustamos barbatanas de tubarão em companhia de Midori ( a adorável senhora Guitarwolf), das filhinhas muuuuuuuuuuuuuuuuito fofinhas dos dois e de Billy, o selvagem e tatuado Basswolf e Toru, o destemido Drumwolf.
Foi um genuíno jantar com as melhores estrelas do rrrrrrrrrrock , o que mais poderíamos querer!!! No banheiro do restaurante tinha um boneco em tamanho natural colado na parede bem atrás da privada. Fazer xixi com um sujeito, mesmo que mecânico, batendo pratinhos no meu cangote foi uma das experiências mais além-da-morte que eu já encarei em vida.
No meio da madrugada cai a bomba: Bacalhau teve problemas com o vôo e só poderia chegar no Japão para o show do dia 17. O QUE FARÍAMOS COM O SHOW DO DIA 16, EM UTSONOMIYA?! Mas mestre Seiji descolou um batera local bom pra caralho, o J.J., que tirou as músicas em um dia só de ouvir o set list no MD. Desfalcados do Baca, ficamos desesperados mas não entramos em pânico. Não, como bons gafanhotos que somos, levamos a maior fé zen na parada e encaramos a missão com nosso colega de trabalho japonês: fizemos um show muito legal, descontraído e alegre. Não rolou choque cultural: o público é super animado e conseguimos nos comunicar com a galera numa boa em japonês. Nos sentimos em casa durante a apresentação toda, não rolou nenhuma sensação de diferença do público brasileiro. O pessoal dançava, e uns arriscaram até gritos de "Ótoramasu", o que animou a gente ainda mais. Quando "demos por si", eu já tava até falando as minhas bobagens de costume na língua nativa. Isso apesar, é claro, das muitas limitações impostas pelo meu modesto vocabulário de três anos de estudo no Instituto Cultural Brasil-Japão há doze anos atrás, ugh! Mas, finalmente, agora posso responder alguma coisa que pareça sensata quando alguém comete a faq "ué, mas por que estudar japonês?".
A gente vive ouvindo falar do interesse que os japoneses têm pela música brasileira, quantos artistas brazucas não se apresentam por lá todo ano, não é? Mas o que rola mesmo é que a maioria vai pra lá tocar pros dekasseguis, os brasileiros descendentes de japoneses que trabalham lá nas fábricas (sem desmerecer ninguém, olha lá, heim, tolinho?). Daí que a galera que gosta de rock nem sabia que haviam bandas de rock por aqui, eles achavam que aqui só rolava bossa nova e samba. Isso porque os fãs de heavy metal que curtem o Angra, Shamã, essas coisas, são de outra facção. Modéstia a parte e justiça seja feita, porra, foi uma honra mostrar a eles que o nosso rock é fodão. Nós levamos um monte de CDs pra eles conhecerem! Nas lojas a gente achou CDs dos Ratos de Porão e do Crazy Legs, da 13 Records do meu grande ídolo Thor Zanatas do Zumbis do Espaço.
Outra coisa muito legal que descobrimos em Utsonomiya foi o pão japonês. É o melhor pão do mundo, nas versões salgada e doce. É uma das poucas coisas baratas no país (relativamente, um pão recheado custa cerca de R$3,80). Tudo no Japão é alto, grande e caro, mas brasileiro que se preza sempre descola uma boa pechincha. O Gabriel comprou uma cópia perfeita de Mosrite modelo Ventures por singelas 600 pilas, mas você tem que andar, meu amigo. Qualquer chaveirinho de plástico vagaba da Hello Kitty custa por volta de quinze reais. Tênis usados da década de oitenta chegam a custar 700 pratas nos brechós (furagi) !!!
No dia seguinte, 17 de dezembro, deixamos o hotel completamente zozós com a caralha do fuso horário ( e eu achava que era frescura) e seguimos cinco horas adiante, agora com destino à Fuji. Paramos num posto Glaal onde enchemos o pandurro de katsukare com coca-cola e nos desbundamos com o colossal e impávido gigante de neve japonês, o Fujiyama.
Um pouco depois da passagem de som, Bacalhau chegou,bem a tempo de encarar um show com mais de 25 horas de vôo e mais 3 de trem bala nas costas. Novamente completos, apesar de termos ficado muito felizes pelo J.J. ter nos ajudado, pudemos enfim fazer nossas estripulias de palco em família. O show no Animal House foi foda, fazer o quê?! Leva a mal não e me desculpe, heim? Me desculpe, mas a galera pulou, dançou, riu, se esbaldou e ainda tinham umas meninas que gritavam "liiiiiindo" pro Gabriel. Os shows do Guitarwolf são o espetáculo de rock mais perfeito na face da terra, os caras são os reis no Japão. E Fuji, é claro, foi ao delírio em "Fujiyama Attack"...All light!
Depois dos shows sempre rolavam uns petit comité maneiríssimos, as "after show parties" como eles chamam, cheias de gente legal e quitutes exóticos regados a jarras e mais jarras de Asahí geladinha. No Japão as pessoas adoram celebrar com os amigos e são extremamente alegres e generosas. É impressionante como se pode aprender com eles a tratar bem aos outros. Caí dentro dos shumais, bati altos papos retos, mas achei de bom tom não experimentar as orelhas de porco. Outra coisa sensacional: todo mundo fuma no Japão o tempo todo!!!! É o paraíso!!! Como a gente levou cigarro daqui, os caras morriam de rir das fotos com as mensagens do Ministério da Saúde. O do nenenzinho zoiudo, que o Aaron, baterista do Watts, chama de "Ace of Spades" da bisonha coleção, causou um repúdio generalizado, eu até evitava, mas o da figurinha da impotência foi o maior sucesso! Ninguém conseguia acreditar numa cena tão ridícula reproduzida num maço de cigarros. Dei um monte de maços da impotência de presente e fiz muitas pessoas felizes! O do mau-hálito não ficou tão popular, mas também teve lá os seus momentos.
A essa altura, nosso vocabulário de palavrões em japonês já tinha atingido uma fluência quase nativa, uma cortesia do professor Basswolf, um autêntico PHD no assunto. Para que vocês também possam xingar pessoas babacas e estraga prazeres em geral sem dar bandeira, aí embaixo segue uma pequena listinha de impropérios traduzidos do Guitarwolfês para o Autoramês:
- arigachinko: valeu, caralho.
- dou itashimanko: de nada, xereca.
- chinko kusê: seu pau fede a peixe
- manko kusê: sua xereca fede a peixe
- kusai: budum, catinga, cheiro de corpo
- ketso medo: cu
- ketso no ana: fusquete, olhota
- manko: periquita, xonga, perereca, xibil
- chinpô: caralho
- manko ni buchi kome: dentro da minha perereca é quente
- chinko ni buchi kome: dentro do meu pinto é quente
- (Para os heterodoxos) ketso medo ni buchi kome: dentro do meu cu é quente
- Chou baka: super bobalhão ou sujeito supimpa, tudo depende da moral do indivíduo em questão
- Shiri: bunda
- Pai momi: peitolas
- Decamará: dotadão
- Chaku Hachi: bola gato
- Omeko shitai: quero fuder
- Nani ô temearô: qual é, ô fela-da-puta
- Arrô: burro
- Kichigai: maluco, do que eu concluí que nani ô kichigai é "qualé, maluco".
Tem muito mais de onde esses vieram!!! E o Gabriel, para retribuir tamanha gentileza de nossos anfitriões, ensinou o Billy a falar "sai fora piranha" e "buceta arrombada". Claro, adivinha quem foi a cobaia songamonga que eles escolheram para testar o intercâmbio lítero-musical?
Na manhã do dia 18, consegui a proeza de me trancar numa cabine telefônica por dez minutos. Isso sem contar que eu não consegui entender as instruções para ligar a cobrar. Pelo menos o Gabriel ainda tava dormindo e não pôde rir da minha situação humilhante. Partimos então para Nagoya, uma puta cidade grande onde algumas ruas são áreas da yakuza, a máfia japonesa, e ninguém pode dar bobeira porque se não eles te catam e enchem a sua cara de porrada, meu irmão. A yakuza é foda. Apesar disso as bandas deixam as vans cheias de equipamento, completamente arreganhadas na rua, e ninguém mexe em nada. Aproveitei pra curtir a deliciosa sensação de deixar dinheiro, passaporte, pedal, câmera, tudinho no camarim e voltar e encontrar tudo de volta. Adorei a sensação de liberdade de não me preocupar com minhas posses materiais e me concentrar simplesmente no meu ladinho espiritual.
Em Nagoya tocamos no Huck Finn. A primeira banda da noite foi o Gasoline, contratada da Estrus. O show dos caras é muito bacana, o melhor entre todas as bandas que vimos por lá. Tava um frio de rachar e nessa noite eu pensei, não, não usarei minissaia. Mas mestre Seiji estava lá atento a todos os detalhes: You become fire. Encarei meu diminuto figurino meio desconfiada, mas Guitarwolf estava certo, mais uma vez. O calor que faz nos palcos dos clubes no Japão é mais violento do que aqui, podem acreditar. Depois que enche de gente então, o aquecimento atinge o pico e daí é uma sauna inacreditável, principalmente se você considerar que ainda restam montinhos de neve lá fora na rua. Nevava lá fora. Brrrrrrrrrr...
Manhã do dia 19: depois de três dias direto sem sair de dentro, pudemos esticar os cambites pelas ruas de Osaka. Osaka é um absurdo, mistura de Camdem Town e Saint Mark´s Place com tempero oriental. Enquanto dávamos uma banda pela Rua da Alfândega local, tentando nos misturar à população nativa, Bacalhau e eu fomos interpelados por um cara que nos pediu autógrafos e tirou fotos com a gente. Fiquei surpresa: Ora, Bacalhau, como nos reconheceram aqui? As lojas de discos são uma loucura, apesar de custar caro (60 Reais um CD), você encontra de tudo e, o que é melhor, tudo logica e coerentemente classificado, separado, analisado e, taram... facinho de achar. Gabriel e Bacalhau saíram carregados de CDs e vinis raros. Que eu, claro, vou gravar, porque eu sou mulézinha mesmo e gastei meu dinheiro todo em sapato e meinhas de lurex.
De volta ao hotel à noite, nos reunimos para degustar biscoitinhos de chocolate ("cabe, na boca, como um bombom" - definição poética do Bacalhau) e café de latinha da máquina - ah, as máquinas de bebidinhas japonesas, que falta vão fazer em nossas vidas! Sinto um imenso vazio só em pensar nelas... Gabriel virou freguês da Fanta Melão e dos sucos de cenoura com frutas indizíveis, enquanto eu caí dentro do Coffee Wonda e do chocolate quente. Mas encorajada pelo Capitão Thomaz, também me arrisquei num suco exótico: uma espécie de refresco de sopa feito de tomate, repolho e alho. Experimentei o coquetel uma manhã, é gostosão, mas fiquei com medo de me tornar uma ameaça química aos meus honoráveis companheiros de viagem. De volta aos meus aposentos, vi na TV que Bush pretendia invadir o Iraque no dia 27 de janeiro. Lembrei do "Cafofo do Osama" no Casseta & Planeta e senti uma súbita alegria por ser brasileira.
No dia seguinte, me senti Mu Rah despertando do sarcófago. Sabe lá por que diabos, acordei às 5 da manhã, e lá, no inverno só amanhece às 7:30. Às 4:30 da tarde já é noite, o que ajuda os gaijin a se sentirem ainda mais desnorteados. Nogfa, que pernóstica... tô misturando tanta palavra estrangeira nesse diário... te cuida, Umberto Eco!
Fizemos mais umas comprinhas de tarde e emburacamos pro local do show, o Fandango. A galera de Osaka é mais alucinada, mais punk. O show da gente foi ótimo, o do Guitarwolf mais uma verdadeira celebração da energia rock, e depois fomos para um daqueles restaurantes de mesas compridas onde você tem que tirar o sapato. Tinha um topetudo rockabilly gente finíssima que falava português bem pra caramba porque tinha jogado futebol em Ribeirão Preto. O mundo é mesmo uma província. Comemos tanta coisa boa que mal deu pra saber o que era. Lá pelas 3 da madruga reboquei um Bacalhau já beeeeeeem encharcado de Asahí de volta para o hotel e dormi o sono dos justos até às 9 horas.
Às 10 metemos tudo na van e seguimos de volta ao ponto de partida, Tokyo, onde iríamos nos apresentar pela última vez em Shibuya, no espetacular Club Asia. Foram oito horas de estrada na chuva. Chovia lá fora. Quando chegamos, fizemos um pit stop no escritório do Guitarwolf onde eles nos presentearam com novos lançamentos (as demos em CD, uau,uau,uau) e várias otras cositas maneiras como o calendário da banda e um baralho com arte do Coop. Ah, excesso de bagagem, 80 dólares. Ganhar mimos inéditos no Brasil da sua banda favorita, não tem preço.
Dia 22 acordamos cedo e partimos de metrô para a célebre Harajuku, a Saara dos punks, góticos, clones de Marilyn Manson e cocotas em geral. As meninas usam sapatos da altura de um paralelepípedo e lentes de contato brancas, isso sem contar os modelitos básicos, tipo Mamãe Noela cor-de-rosa, e outros que eu nem tenho palavras para descrever. A moda no Japão agora é ser Black Power e não me pergunte como, mas os caras conseguem ficar com um cabelo igualzinho ao do Dr. Ailton! Todos querem o doutor!
As ruas em Tóquio são estreitas, e como vivem entupidas de gente, você tem que andar com passinhos de quem não quer peidar. Os degraus das escadas também são tão pequenos que eu levei uns quatro estabacos. Tóquio. Sonhamos tanto com esse momento... Primeiro Godzilla. Depois a seleção brasileira. Agora era a vez dos Autoramas tomarem Tóquio de assalto. Uhú, galera, é nóis na fita, mano. A essa altura, a gente já tava se sentindo mesmo em casa, os caras até cantavam o refrão de "Paciência", que toca numa rádio rock da cidade no programa "Midnight Thunder" do Seiji. Muito doido, saca?
Foi um grande momento nas nossas vidas, o que vai acontecer ou qualquer tipo de expectativa não nos assombra. Atendemos ao chamado dos deuses do rock, onde quer que seja. Demos um duro danado, e a parte mais bonita da história foi receber, no fim, a camisa com as datas da turnê nas costas, o troféu que toda banda de rock de verdade sonha em poder ter guardado no armário.
Feliz 2003 pra todo mundo, e que todos os seus sonhos possam se realizar também!!!
É o que desejam
Gabriel
Simone
Bacalhau
Boa noite, nós somos os Autoramas!
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by Autoramas at 6:55 PM
terça-feira, dezembro 10, 2002
Howl!
É, parece que a próxima semana demorou um semestre inteiro, hã? Finalmente, com uns 12 anos de atraso, resolvi ouvir o meu pai e estudar. Acabei voltando pra faculdade, que, além da vida na estrada e da faxina do lar, consumiu os meus melhores neurônios. Mas agora, a-há, a minha sorte mudou:entrei de férias e deu tempo pra mexer nessa bagaça, abrir os emails e voltar a falar com a galera. Eu estava morrendo de saudades de poder conversar com todos vocês com mais frequência, mas acabei ficando meio afastada da internet por total relutância dos meus ossos em permanecerem despertos depois da meia-noite.
NO CAPÍTULO ANTERIOR...
A gente fez uns 20 shows nos dois últimos meses, quase não paramos em casa: Salvador, Aracaju, Porto Alegre, Joinville, Florianópolis, São Paulo, São José dos Campos... foi ótimo encontrar os amigos espalhados por aí. Tô atualizando (aleluia, aleluia) o site hoje, mas já vamos combinar assim:
- Notícias, novidades e datas de shows você pega direto aqui no blog - é mais fácil pra mim de manter atualizado
- Os nossos emails e a url do site mudaram: http://www.uol.com.br/autoramas
.: Gabriel: gabriel.auto@uol.com.br
.: Bacalhau: bacalhau.auto@uol.com.br
.: Simone: simone.auto@uol.com.br
- A Monstro discos acabou d elançar nosso novo compacto em vinil! Visite o site da melhor gravadora que já passou pela nossa vida pra vislumbrar o quitute.
P-p-p-p-p-p-p-po-po-por enquanto é s-s-s-s-só, p-p-p-p-pe-pessoal
Beijos!
posted
by Autoramas at 8:09 PM
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